Análise da Fujifilm XF 35mm f/1.4 R: Um Clássico Atemporal
A Fujifilm XF 35mm f/1.4 R não é apenas uma objetiva; é uma peça fundamental na história do sistema X da Fujifilm. Lançada juntamente com as primeiras câmaras da série, estabeleceu um padrão de qualidade ótica e de carácter que muitos fotógrafos continuam a procurar até hoje. Com uma distância focal equivalente a aproximadamente 52.5mm em formato full-frame, esta objetiva "normal" oferece uma perspetiva semelhante à do olho humano, tornando-a numa ferramenta extraordinariamente versátil. Esta análise examina de forma objetiva os seus pontos fortes e as suas limitações, ajudando a perceber porque é que, mesmo com alternativas mais modernas disponíveis, esta objetiva continua a ser uma das mais queridas da gama Fujifilm.
Construção e Manuseamento
Ao pegar na XF 35mm f/1.4 R, a primeira impressão é a de um produto premium, mas surpreendentemente compacto. Com apenas 187 gramas, é uma objetiva extremamente leve que equilibra perfeitamente com a maioria dos corpos da série X da Fujifilm, desde os modelos mais pequenos como a X-T30 até aos mais robustos como a X-T5. A construção combina metal e plástico de alta qualidade, conferindo uma sensação de durabilidade sem adicionar peso desnecessário.
Um dos seus traços mais distintivos é o anel de abertura físico, com marcações claras e cliques satisfatórios em incrementos de 1/3 de ponto. Este controlo tátil é uma das assinaturas da Fujifilm e é particularmente apreciado por fotógrafos que preferem uma experiência de disparo mais tradicional e deliberada. O anel de focagem manual é suave e preciso, embora seja um sistema "focus-by-wire", comum em objetivas mirrorless. A rosca para filtros é de 52mm, um tamanho comum e acessível. Vale a pena notar que a objetiva não possui vedação contra intempéries, um compromisso a ter em conta para quem fotografa frequentemente em condições adversas.
Desempenho do Foco Automático
Este é, sem dúvida, o ponto onde a XF 35mm f/1.4 R mais evidencia a sua idade. Sendo um dos primeiros modelos da linha XF, o seu motor de foco automático não é tão rápido, silencioso ou decisivo como o das suas congéneres mais recentes, como a XF 35mm f/2 WR. O motor é audível e, em condições de pouca luz ou baixo contraste, pode "hesitar" antes de fixar o foco. Além disso, utiliza um mecanismo de focagem externa, o que significa que o grupo ótico frontal se move para a frente e para trás durante a focagem.
No entanto, classificar o seu AF como "mau" seria injusto. Para a maioria das aplicações em que esta objetiva brilha — como retratos, fotografia de rua ponderada ou fotografia do dia a dia — a velocidade do foco é perfeitamente adequada. O problema surge em situações que exigem um desempenho de topo, como seguir sujeitos em movimento rápido. É um compromisso claro: a Fujifilm optou por um design ótico que prioriza a qualidade de imagem em detrimento da velocidade de focagem.
Qualidade de Imagem
A qualidade de imagem é a razão de ser desta objetiva e o motivo pelo qual continua a ter uma legião de fãs. A XF 35mm f/1.4 R é conhecida por não ser clinicamente perfeita, mas por ter uma "magia" ou um "carácter" que é difícil de quantificar.
À sua abertura máxima de f/1.4, a nitidez no centro do enquadramento é impressionante, embora os cantos sejam visivelmente mais suaves. Esta característica é, na verdade, uma vantagem para retratos, ajudando a isolar o sujeito do fundo de forma natural. Ao fechar a abertura para f/2.8 ou f/4, a nitidez torna-se excelente em todo o fotograma, rivalizando com muitas objetivas modernas.
O verdadeiro trunfo desta objetiva é a sua renderização e o bokeh. As áreas desfocadas são suaves, cremosas e com transições graciosas, sem as arestas duras que por vezes se encontram em designs óticos mais recentes e corrigidos. O diafragma de 7 lâminas ajuda a criar pontos de luz desfocados com uma forma agradavelmente arredondada.
Em termos de aberrações, a objetiva controla-as razoavelmente bem. Existe alguma aberração cromática longitudinal (franjas verdes e magenta em áreas de alto contraste) visível em f/1.4, mas é facilmente corrigível no pós-processamento e diminui significativamente ao fechar a abertura. O flare pode ocorrer ao fotografar diretamente contra fontes de luz intensa, mas o para-sol de metal incluído, apesar do seu design peculiar, é eficaz a minimizar este efeito.
Casos de Uso Ideais
A combinação das suas características torna a XF 35mm f/1.4 R excecional para géneros específicos:
- Fotografia de Rua e Documental: A sua perspetiva natural e o seu tamanho discreto tornam-na perfeita para capturar a vida quotidiana sem ser intrusivo.
- Retratos: Ideal para retratos de meio corpo ou ambientais. A abertura de f/1.4 permite uma separação sublime do sujeito e um fundo artisticamente desfocado, conferindo uma qualidade quase tridimensional às imagens.
- Fotografia em Baixa Luminosidade: A grande abertura máxima é uma enorme vantagem em ambientes com pouca luz, como interiores, concertos ou cenas noturnas, permitindo utilizar velocidades de obturador mais rápidas ou sensibilidades ISO mais baixas.
- Fotografia do Dia a Dia: Como objetiva "walk-around", o seu peso leve e versatilidade fazem dela uma companheira ideal para ter sempre na câmara.
Conclusão
A Fujifilm XF 35mm f/1.4 R é uma objetiva de dualidades. Por um lado, o seu sistema de foco automático é datado e carece de vedação contra intempéries. Por outro, oferece uma qualidade de imagem sublime, com uma renderização e um bokeh que poucas objetivas conseguem igualar. Não é a escolha certa para quem precisa da máxima velocidade e precisão de AF para desporto ou ação.
No entanto, para o fotógrafo que valoriza o carácter da imagem, a experiência de disparo tátil e uma qualidade ótica excecional para retratos, fotografia de rua e condições de pouca luz, esta objetiva continua a ser uma das melhores opções no sistema X da Fujifilm. É um clássico moderno que recompensa o fotógrafo paciente com imagens verdadeiramente especiais e intemporais. É menos uma ferramenta técnica e mais um instrumento artístico.
